Mensagem do Padre

 

São Pedro e São Paulo 

     No dia 29 de Junho celebramos o martírio dos apóstolos Pedro e Paulo, que aconteceu no ano 64 D.C na primeira perseguição do império romano contra os Cristãos. Através destes dois apóstolos a Igreja celebra sua apostolicidade, isto é, o seu fundamento apostólico, graças ao qual, ela se apóia diretamente, sem espaços vazios, sobre a pedra angular que é Cristo. Como fala São Paulo na carta aos Efésios (2,19-20) “Vocês, os não judeus, não são mais estrangeiros nem visitantes. Agora vocês são cidadãos que pertencem ao povo de Deus e são membros da família dele. Vocês são como um edifício e estão construídos sobre o alicerce que os apóstolos e os profetas colocaram. E a pedra fundamental desse edifício é o próprio Cristo Jesus.”

     São Pedro e São Paulo são os últimos dois anéis de uma corrente que liga a Cristo. A nossa comunhão com Jesus, em certo sentido, passa através dos dois. Nós celebramos, pois, a festa dos “fundadores”, “os cabeças” do povo cristão.

      Através do novo testamento nós podemos reconstruir o itinerário da vida deles.

     Pedro era um pescador do mar da Galiléia. Com André, seu irmão, e o seu velho pai Jonas, passavam os dias sobre o lago de Tiberíades. Sempre o mesmo trabalho: jogar a rede, esperar, retirar a rede e depois a noite consertar as redes, sentados as margens do lago. Foi ai mesmo, nesta noite, enquanto jogavam as redes para as última pescaria, que passou por ali Jesus e disse a ele e a seu irmão: “Segue-me e eu farei de vocês pescadores de homens” (Mc 1,17). Começou ai a sua extraordinária aventura: seguir o mestre da Galiléia até a Judéia e depois da morte de Jesus andou por toda a Palestina e depois foi para Antioquia da Síria e enfim para Roma.

     Em Roma ficou para sempre, não somente pela sua sepultura, mas com o seu comando: permaneceu naqueles que o seguiram sobre aquele que os cristãos chamam a “Cátedra de Pedro”, até o seu atual sucessor com o numero de 271 que chama Papa Francisco. Neles Pedro continua sendo a rocha na qual Cristo vai construindo misteriosamente a sua Igreja – sinal de unidade para todos aqueles que invocam o nome do Senhor.

     Diferente é o caminho de Paulo. Ele estava em Jerusalém nos dias em que Jesus foi preso, condenado a morrer crucificado. Filho de um Judeu que morava em Tarso, estava em Jerusalém para se aperfeiçoar no judaísmo. No seu zelo ardente pelo judaísmo, pensava em agradar a Deus, perseguindo a jovem Igreja. Mas Jesus o esperava na entrada de Damasco: “Saulo, Saulo porque me persegues?” (At 9,4). Encontrou somente força para balbuciar: “Quem és tu Senhor?”.

     Mais tarde, repensando aquela experiência, pareceu que naquele dia, Cristo havia como que tocado na alma e no corpo. Torna-se de Cristo a tal ponto de afirmar: “não sou eu quem vivo mas é Cristo que vive em mim.” (Gal 2,20). Cristo se tornou para ele a chama interior, sua paixão. O  amor de Cristo o dominou. Andou pelo mundo do império romano, pregando Cristo aos Judeus e aos pagãos. As suas viagens apostólicas, mostram o seu interesse e entusiasmo em fazer Cristo conhecido e aceito por todos. Na sua segunda carta a Timóteo (4, 6-8) deixa o seu testamento: “Quanto a mim, chegou a hora da minha partida, combati o bom combate, terminei a minha carreira, guardei a fé. E agora está reservada a coroa da justiça que me será dada pelo Senhor justo juiz, mas não somente a mim, mas a todos os que esperam com amor, a sua vinda.”

     Do ardor de fé e da caridade de Paulo, se alimentou a espiritualidade destes séculos de cristianismo. Os primeiros cristãos iam para o martírio, algumas vezes levando escondidas no peito as cartas de São Paulo. Santo Agostinho se converteu ouvindo um capítulo da carta aos Romanos. Nós também, cada domingo, é como se alimentássemos do seu extraordinário conhecimento de Cristo. Ele é a grande luz, aquele que mais contribui para levar a mensagem ao lado da cultura e aos homens do seu tempo.

     Na rica e movimentada vida, dos dois apóstolos, a liturgia coloca para nós alguns momentos. Sobre todos, sobressai a cena de Cesareia de Felipe: “Tu és Pedro e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”. A Igreja, por tanto, não é uma sociedade de livres pensadores, mas uma sociedade, ou melhor, a comunidade daqueles que se unem a Pedro para proclamar a fé em Jesus Cristo – Quem edifica a Igreja é Cristo, é ele que escolhe livremente um homem e o põe na sua base. Pedro é apenas um instrumento, a primeira pedra do edifício. – Por isso, só será verdadeiramente e plenamente Igreja se está em comunhão com a fé de Pedro e a sua autoridade. Santo Ambrósio escreveu: “onde está Pedro, ai está a Igreja”.

      Contudo, o governo, a autoridade de Pedro não é um cargo de honra ou recompensa a um merecimento, mas apenas um serviço.

     Testemunha de Cristo, pastor e servo daqueles que acreditam, são, pois prerrogativas que de Cristo, são passadas a Pedro. De Pedro passaram aos seus sucessores.

     Concluindo, rezemos pelo atual sucessor de Pedro, Papa Francisco, para que ele seja iluminado e o torne capaz de confirmar os irmãos na fé.

 

Mons. Geraldo P. de Carvalho

 

 

Santuário Nossa Senhora do Amor Divino.

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